Por que é tão importante falar sobre a prevenção ao suicídio

Você já ouviu o mito de quem quer se matar não avisa? Na verdade, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 50% e 75% das pessoas que tentam suicídio falam sobre seus pensamentos suicidas, sentimentos e planos antes do ato.

Ainda assim, muitas pessoas pensam que o suicídio é uma realidade distante e que afeta poucas pessoas, mas, infelizmente, os dados da OMS mostram justamente o contrário. A cada 40 segundos, uma pessoa comete o ato no mundo, de acordo com relatório atual da organização. Isso significa que, em um ano, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida.

A OMS ainda alerta que 90% desses casos poderiam ter sido evitados. Isso porque a maioria deles está relacionado a doenças mentais, que, assim como qualquer outra doença, tem diagnóstico, tratamento e prevenção. Conversar francamente sobre o tema, identificar os sinais de risco e oferecer ajuda são as melhores formas de enfrentar o problema.

Neste post, você vai entender melhor a importância do diálogo sobre suicídio e como o Setembro Amarelo ajuda na sua prevenção. Acompanhe!

 

O suicídio ainda é um tabu

Difícil de ouvir e mais difícil ainda de falar. O suicídio é considerado um assunto bastante desconfortável e, assim como muitos temas ligados à saúde, o preconceito e a desinformação têm atrapalhado o direcionamento adequado do problema.

O tema ainda é considerado assunto proibido na sociedade, principalmente pela crença de que mencioná-lo pode estimular as pessoas a cometerem o ato. Porém já foi comprovado que falar sobre o assunto pode até reduzir os riscos de uma pessoa cometer o suicídio. Isso porque, segundo especialistas, na maioria das vezes, um simples diálogo consegue aliviar o sofrimento emocional em uma situação de crise.

Há ainda muito tabu em torno de doenças mentais e isso leva quem sofre a não querer se abrir, por medo de julgamento ou até mesmo por não saber que está doente. Procurar ajuda psicológica é visto na nossa sociedade como “coisa de doido”. Isso dificulta a oferta de ajuda, sendo ela de pessoas próximas ou de um profissional.

Nesse patamar, a depressão é uma das doenças mentais que mais levam ao suicídio. Dados da OMS revelam que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, atrás apenas de acidentes de trânsito.

Para que a prevenção aconteça, de fato, é necessário que primeiramente as pessoas parem de rotular doenças mentais como mera tristeza, frescura ou preguiça.

 

Como começou o Setembro Amarelo?

A campanha teve início no Brasil, em 2015, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O principal objetivo da campanha é a conscientização sobre a prevenção do suicídio, buscando alertar a população a respeito da realidade desse problema no Brasil e no mundo.

 

Como identificar alguém que precisa de ajuda?

O suicídio pode ser prevenido e, embora seja uma questão complexa que envolve muitos fatores –como a colaboração entre profissionais da área da saúde, familiares e serviços de tratamento–, a prevenção pode começar com o reconhecimento dos sinais de alerta.

Se você percebeu que alguma pessoa próxima fala em algum momento algo como “queria dormir para sempre” ou “sou um peso para os outros, vocês estariam melhor sem mim”, tente conversar com ela imediatamente mostrando abertura, empatia e respeito.

Puxar uma conversa e ouvir –sem julgar ou relativizar o sofrimento da pessoa– é o primeiro passo para reduzir o nível de desespero suicida. A etapa seguinte  é incentivá-la a buscar ajuda profissional.

Por mais que seja importante termos alguém para desabafar, só o ombro amigo não é solução para os casos em que a pessoa está considerando tirar a própria vida. Não é todo mundo que está preparado para ouvir demanda de suicídio; dizer algo equivocado pode fazer a pessoa piorar, ainda que essa não seja a intenção.

Aqui fica uma dica importante: deixe que a pessoa fale, sem emitir julgamentos ou opiniões sobre o assunto. É muito importante se mostrar presente e deixar bem claro que sua vontade é apenas ajudar.

Além de não ignorar esse tipo de fala, é preciso estar atento a outros fatores. Segundo o CVV, alguns dos sinais de alerta são:

– tristeza intensa e prolongada por várias semanas;

– perda de interesse em atividades que antes davam prazer;

– falta de planos para o futuro;

– postagens relacionadas ao suicídio e depressão profunda nas redes sociais;

– começar a se despedir de lugares e pessoas importantes;

– doação inexplicada de objetos valiosos.

 

Você pode desempenhar um papel crucial ajudando alguém que está lidando com pensamentos suicidas, mas lembre-se: se você não for um profissional da área, há limites do que pode fazer. Seu objetivo deve ser obter a ajuda profissional que a pessoa precisa.

Setembro é o mês mundial da prevenção ao suicídio, porém é preciso ter a consciência de que não é só neste mês que o sofrimento emocional acontece. Você pode salvar uma vida!

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