Hipolabor ensina: saiba reconhecer os sintomas da gastrite nervosa

Hipolabor ensina: saiba reconhecer os sintomas da gastrite nervosa

Dores fortes e ardência no estômago não são estranhas para muitas pessoas. Após comer certos alimentos, é possível que a parede do estômago fique inflamada, causando esse desconforto. Porém, nem sempre isso acontece. Pode ser que você sinta essa acidez sem uma causa comum. Nesses casos, é bem provável que sejam sintomas da gastrite nervosa.

Continue a leitura e entenda como verificar se você tem esse problema e as principais formas de tratamento.

O que é a gastrite nervosa?

Mais comum entre as mulheres, a gastrite nervosa, também chamada de “dispepsia funcional”, tem causas emocionais, como a ansiedade, o medo, o estresse e a irritabilidade. Normalmente, uma gastrite é causada por alguma inflamação no estômago, que pode ter várias causas distintas. Dependendo dos seus hábitos alimentares, você certamente já passou por algo assim.

Ao contrário das outras gastrites clássicas, em um quadro de gastrite nervosa não há inflamação das mucosas da parede estomacal — dessa forma não há riscos de complicações para a saúde do aparelho digestivo como úlceras ou câncer. A parede do estômago possui células secretoras de muco, o qual protege os tecidos do efeito do ácido clorídrico, que contribui com a digestão.

Para regular esse sistema, os tecidos possuem várias células nervosas, as quais são ligadas ao sistema nervoso central. Por isso que, quando há mudanças emocionais muito intensas, elas tendem a provocar reações involuntárias e indesejadas em diversas partes do corpo, incluindo no estômago.

No entanto, a gastrite nervosa também precisa de tratamento para melhorar a qualidade de vida do paciente e evitar episódios de repetição. Confira abaixo como reconhecer os sintomas da gastrite nervosa, o tratamento e as formas de prevenção.

Quais os sintomas da gastrite nervosa?

Apesar de não apresentar um quadro infeccioso, a gastrite nervosa apresenta sintomas muito parecidos com os encontrados em outros tipos de gastrite, como:

Dores estomacais fortes, em forma de pontadas

Como já mencionamos, todas as gastrites envolvem alguma dor ou desconforto na parede estomacal, causado pela acidez. Quase sempre esse é o primeiro sinal da doença no organismo. No caso da gastrite nervosa, essa dor vem na forma de fortes pontadas no estômago, causadas pela ação do ácido na parede do estômago. Se você sentir essas dores logo após uma experiência estressante, há chances bem altas de que sejam causadas por gastrite nervosa.

Má digestão, com a sensação de que a comida está parada no estômago

Um efeito colateral de quaisquer alterações no ambiente estomacal, como é o caso do excesso de acidez durante a gastrite, afeta o funcionamento das enzimas digestivas, assim como as contrações da parece estomacal. O resultado é que o corpo não consegue executar esse estágio da digestão corretamente, levando a uma sensação de peso no estômago. A comida fica parada até que as condições sejam propícias para a atuação do organismo novamente.

Azia

Naturalmente, o excesso de ácido gera uma sensação de azia, que é a queimação da parede estomacal. Mesmo com a presença do muco protetor, há um limite para o PH que pode ser suportado pela sua estrutura.

Arrotos frequentes

A presença do ácido no estômago também faz com que sejam gerados gazes no organismo, parcialmente devido à má digestão. O resultado é um acúmulo de gás no estômago, que, além de aumentar a sensação de peso e estufamento na barriga, também gera arrotos com bastante frequência. A liberação do gás nesse momento pode provocar algum alívio, mas ele vai se acumular novamente enquanto a gastrite persistir.

Dores de cabeça e mal-estar geral

Estresse, ansiedade e problemas emocionais afetam diversos órgãos do corpo de diferentes formas. Dor de cabeça é uma reação comum, pois a pressão sanguínea causada pelo estresse pode prejudicar os tecidos. Além disso, a sensação de peso no estômago também pode causar algum cansaço generalizado.

Vômito ou ânsia de vômito

Perturbações no estômago podem facilmente resultar em regurgitação, pois o organismo tenta eliminar substâncias que pareçam agressivas. Sendo assim, é natural que você sinta ânsia de vômito, ou mesmo regurgite o alimento enquanto sofre uma gastrite nervosa. Esse é um caso bem mais intenso, então é menos comum. Caso isso ocorra com alguma frequência, é melhor buscar o médico rapidamente.

Saciedade precoce

O acúmulo de gases, irritação e indigestão no estômago pode levar a uma sensação de estufamento, o que é interpretado pelo corpo como saciedade. Ou seja, seu cérebro entende que seu estômago está cheio e que você já se alimentou bem. Por isso que, durante uma gastrite nervosa, é muito difícil comer uma refeição completa sem causar mal estar. No longo prazo, isso pode levar à perda de peso e desnutrição.

Esses sintomas podem se manifestar a qualquer momento, mas são mais comuns em períodos de maior tensão emocional e estresse — que são os responsáveis por desencadeá-los.

Quem devo buscar?

Caso você note algum dos sintomas da gastrite nervosa no seu dia a dia e eles sejam persistentes, o correto é se consultar com um gastroenterologista, um profissional especializado no trato digestório e problemas gástricos. Você pode entrar em contato com esse especialista em outras situações, como no caso de refluxo do ácido estomacal, pancreatite, inflamação intestinal, entre outros.

Há vários deles disponíveis em redes privadas, que podem ser acionados através do seu plano de saúde, além do sistema público de saúde, o SUS. Assim que você identificar os sintomas que citamos acima, entre em contato com o profissional de saúde mais acessível para você.

Como obter o diagnóstico da gastrite nervosa?

A investigação da gastrite nervosa é feita por meio dos mesmos exames que identificam os demais tipos de gastrite. Vejamos alguns exemplos que são aplicados na maioria dos casos.

Endoscopia digestiva

Uma endoscopia é um exame que utiliza um tubo fino com fibra ótica, chamado de “endoscópio”, para observar partes do interior do corpo. Na endoscopia digestiva, esse tubo é introduzido através da garganta até o estômago, permitindo observar as paredes internas do órgão para identificar se há alguma inflamação, ferida ou problema similar.

Se você for apontado para esse exame, o preparo envolve um jejum de 8 horas para garantir que não haja ácido nem comida em processo de digestão. Mesmo água, que não é digerida, pode alterar a conformidade do estômago, então só é possível tomá-la até 4 horas antes do exame. Também é importante não utilizar nenhum medicamento antiácido para não prejudicar o resultado do exame.

O processo da endoscopia, por sua vez, costuma ser bem curto, durando de 5 a 30 minutos, dependendo do caso. O paciente costuma deitar de lado e recebe uma anestesia local para a garganta, o que evita a ânsia de vômito normalmente provocada pela presença de um objeto estranho na garganta. Em alguns casos, também é possível usar um sedativo, fazendo com que o paciente durma durante todo o procedimento.

Para evitar que a boca do paciente feche involuntariamente, é usado um suporte de plástico, que mantém os dentes afastados. Quando o tubo é inserido, o médico pode observar mais claramente o estado do estômago, além de poder aplicar medicamentos imediatamente.

Complicações no exame são bem raras, pois ele é pouco invasivo. As mais comuns são reações alérgicas inesperadas a algum dos medicamentos utilizados ou problemas de saúde associados a outros órgãos, como o coração ou os pulmões. Caso haja alguma complicação ou sintoma (febra, desconforto) após o exame, o ideal é buscar novos exames.

Biópsia de tecidos do estômago

Durante o processo da endoscopia digestiva, o médico também pode coletar amostras dos tecidos do estômago do paciente e levá-los para uma análise em laboratório. Esse procedimento é chamado de biópsia, que é o que contribui para a diferença de 5 a 30 minutos durante a endoscopia.

Esse tipo é mais comum para identificar tumores benignos ou malignos, pois é possível avaliar a evolução e reprodução das células em um ambiente isolado. Além do câncer, a biópsia pode ser usada para identificar praticamente qualquer defeito na estrutura celular dos tecidos.

A amostra é coletada através de um tubo, sendo armazenada em parafina. Quando ela é endurecida, a amostra é cortada em diversas lâminas e depois recebe um corante, o que facilita a análise através do microscópio. Isso permitirá a melhor comparação entre as células consideradas normais e as anormais. Caso haja uma diferença significativa, o problema será identificado mais facilmente.

Na ausência de quadro infeccioso e com a persistência dos sintomas, o médico faz o diagnóstico de gastrite nervosa.

Qual o tratamento para gastrite nervosa?

Felizmente, assim como outras gastrites, o tratamento costuma ser bem simples e direto. É essencial seguir as recomendações médicas, pois cada caso é um caso. Aqui, vamos descrever o que existe de mais recorrente como recomendação de terapias para gastrite nervosa.

Então, veremos a seguir que há, no geral, dois tipos de tratamento que você pode buscar nesse quadro.

Medicamento antiácido

O tratamento é feito com medicamentos antiácidos para aliviar os sintomas e medicamentos calmantes para parar a causa das crises. No entanto, esses medicamentos só devem ser tomados com prescrição médica e durante as crises agudas, pois podem causar inflamações estomacais, além de dependência.

automedicação é totalmente contraindicada, pois pode mascarar outros problemas e trazer riscos para a saúde. O ideal é optar por calmantes naturais, como o maracujá e a camomila, e investir em atividades que ajudam a aliviar a tensão emocional, como a prática de exercícios físicos e atividades de lazer.

Tratamento psicológico

Um tratamento com antiácidos pode aliviar os sintomas da gastrite nervosa, mas dificilmente será uma solução definitiva. Como já mencionamos, o medicamento pode provocar dependência caso seja usado além do período indicado ou em maiores quantidades. Mesmo que não seja caso de dependência química, você pode se habituar a sempre tomar uma dose quando se sentir estressado.

Para evitar esse caso e, acima de tudo, prevenir contra as crises de gastrite nervosa, você deve buscar alguma forma de auxílio psicológico. Já mencionamos a prática de exercícios, mas também é possível fazer consultas com um psicólogo ou praticar meditação. Como a causa dos sintomas é emocional, buscar tratamento voltado para a vida emocional é o mais adequado.

Como se alimentar durante uma crise de gastrite nervosa?

Como qualquer coisa no seu sistema digestório, boa parte de seus problemas podem ser resolvidos com mudanças nos seus hábitos alimentares. Se a sua gastrite nervosa é muito crônica e os medicamentos não são o suficiente para lidar com eles, o tipo de comida que você escolhe é a sua melhor solução.

Aqui estão alguns exemplos de mudanças de hábitos alimentares que você pode exercitar. Tenha em mente que eles fazem parte de um conjunto de atitudes que poderão melhorar sua qualidade de vida e auxiliar os tratamentos recomendados pelos especialistas.

Coma com mais frequência

Não é incomum que, em dias de trabalho intenso ou na maioria das rotinas, algumas pessoas façam mais de um jejum por dia (passar mais de 8 horas sem comer). Há um bom motivo para seu corpo dar sinais de fome 4 horas após cada refeição, em média. Para agravar a situação, também é comum que essas pessoas façam refeições pesadas após essa espera, sobrecarregando seu organismo.

Quando você passa muito tempo sem comer, seu corpo reage de forma mais intensa, causando mal estar e gerando mais ácido. Por isso, o ideal é comer em menores quantidades e manter um intervalo de 3 horas, em média, entre uma refeição e outra. Isso vai melhorar seu processo digestivo e evitar as reações mais agudas na gastrite nervosa.

Consuma alimentos com efeito calmante

Como já reiteramos várias vezes até agora, boa parte dos sintomas da gastrite nervosa são de origem emocional, como estresse e ansiedade. Sendo assim, tratar essas reações emocionais, treinando o corpo para reagir de forma menos intensa, é uma forma de minimizar os efeitos negativos da gastrite.

Porém, além de pensar em meditação e consultas com um psicólogo, você também pode usar alimentos com efeito calmante, como doces leves e chás, para minimizar a reação biológica ao estresse. O efeito pode ser similar ao de um medicamento calmante ou ao antiácido, mas com bem menos contraindicações.

Apenas tome cuidado com o tipo de substância contida nesses alimentos. Algumas delas podem estimular muito o aumento da acidez do estômago, o que é contraproducente para quem possui gastrite nervosa.

Tente também não torná-los paliativos no dia a dia, comendo muito entre as refeições. Isso pode levar a outros problemas de saúde no longo prazo. Se possível, tente apenas integrá-los à sua dieta, substituindo outros alimentos.

Priorize alimentos leves

Durante uma crise, o melhor é apostar em uma alimentação leve e de fácil digestão. Alguns alimentos ajudam a controlar o PH estomacal e a aliviar os sintomas, especialmente a azia:

  • legumes cozidos, em especial a batata;
  • frutas como a banana e o melão (as cítricas devem ser evitadas);
  • grãos integrais, como a aveia;
  • carnes magras como os peixes e frango sem pele.

Também é importante ingerir muita água para ajudar na digestão e manter o sistema digestivo bem hidratado. Água também é útil no controle do estresse, pois você reduz a temperatura corporal, evita a secura na garganta (reação comum ao nervosismo) e dá a você mais tempo para se acalmar enquanto se concentra em beber.

Evite pratos que possam agravar seu quadro

Como há uma sensibilidade estomacal, alimentos gordurosos e muito ácidos devem ser evitados nos dias de maior desconforto. Café, refrigerante e outras bebidas gaseificadas, chás industrializados e bebidas alcoólicas também devem ficar fora do cardápio.

Havia uma crença de que o leite gelado ajudava a aliviar os sintomas da gastrite, mas estudos demonstraram que, na verdade, laticínios aumentam a acidez do estômago. Por isso, evite também leite e derivados, como queijo e iogurte.

Independentemente do contexto no qual você se encontra e mesmo se o seu problema não parece ser uma gastrite nervosa, fique atento aos sintomas e siga as orientações médicas. O cuidado com a saúde deve ser diário, especialmente para pessoas com problemas crônicos. Evite fazer qualquer tratamento sem antes consultar um especialista.

Sempre que detectarmos uma situação dessa, é necessário ter a atenção de um profissional capacitado. Afinal, cuidar da saúde é o que de melhor podemos oferecer ao nosso corpo, e ele nos devolve com qualidade de vida. E quando estamos nas mãos de um especialista, a tensão e ansiedade envolvendo exames como biópsia, por exemplo, passam a ser contornáveis.

Neste post, nós vimos a importância de reconhecer em nosso organismo sintomas de doenças que vão atrapalhar nossa vida. A gastrite nervosa é, de fato, um problema sério que poderá evoluir, caso não seja tratado. Então, é essencial atentar-se ao que aprendemos hoje.

Sabemos, a partir de então, quais são os sintomas da gastrite nervosa, que tipo de especialista devemos buscar, quais exames são realizados para diagnosticar essa doença, os tratamentos mais comuns e a alimentação recomendada. Além disso, precisamos compreender as origens de uma crise de gastrite com fundo emocional, pois isso é imprescindível para que não estejamos sujeitos à reincidência.

Agora que você entende melhor sobre a gastrite nervosa, pode buscar o tratamento certo e diminuir seu estresse ao longo do dia. Acha que mais pessoas precisam saber disso? Compartilhe em suas redes sociais e informe seus amigos sobre os sintomas da gastrite nervosa e como eles podem tratá-la!

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