Hipolabor ensina: tudo o que você precisa saber sobre a Hepatite C

Hipolabor ensina: tudo o que você precisa saber sobre a Hepatite C

A hepatite C é o mais nocivo dos tipos de hepatite. Essa doença, que leva à inflamação severa do fígado, é causada pelo vírus C (HCV). É silenciosa e raramente apresenta sintomas inicialmente.

Na verdade, a maioria dos portadores da doença nem ao menos sabem que a têm até fazerem uma doação de sangue ou realizarem exames simples de rotina, por exemplo. Outros tomam conhecimento do diagnóstico quando a condição já apresenta seus sintomas de avanço, o que geralmente acontece décadas depois.

Por conta disso, é preciso estar sempre atento às formas de contágio, além dos fatores de risco e sinais para se prevenir da doença. Neste post, você conhecerá um pouco mais sobre os tipos da Hepatite C, suas formas de transmissão, principais sintomas e tratamentos. Acompanhe!

Tipos de Hepatite C

Antes de começarmos a explicar sobre os diferentes tipos de Hepatite C, é interessante destacar alguns dados alarmantes sobre a condição.

De acordo com informações fornecidas pelo Ministério da Saúde, existem, no Brasil, cerca de 1,5 milhão de pessoas infectadas pela hepatite C — doença responsável também por 70% das hepatites crônicas e 40% dos casos de cirrose.

Além disso, segundo o Fundo Mundial para a Hepatite da Organização das Nações Unidas, cerca de 500 milhões de pessoas no planeta estão infectadas com os vírus para Hepatite B e C, mas apenas 5% delas sabem que têm a doença. Sendo assim, quanto mais conhecimento a população adquirir sobre o tema, melhor.

Tendo essas informações em mãos, é possível explicar melhor os perigos da Hepatite C e como ela pode se manifestar. Existem duas formas diferentes da condição: aguda ou crônica. Abaixo, explicaremos detalhadamente sobre ambas.

Aguda

A Hepatite C aguda corresponde à fase logo após o contágio, mais exatamente os seis primeiros meses após a infecção. A maioria dos casos infelizmente não é detectada, já que os sintomas não se fazem presentes. Apenas alguns infectados apresentam sinais nas primeiras semanas, como febre, urina de coloração escura e olhos amarelados.

Justamente por isso, a doença é considerada perigosa, uma vez que até 85% dos infectados, após esses seis meses, acabam se tornando doentes crônicos. Isso porque, apesar da ação de defesa do sistema imunológico, somente cerca de 15 a 20% dos pacientes conseguem ficar efetivamente curados.

Na forma crônica, permanece a infecção e o deterioramento das células hepáticas de forma lenta e silenciosa. Por outro lado, caso seja detectado ainda na fase aguda, os pacientes com a condição podem contar com um tratamento altamente eficaz.

Crônica

A forma crônica da hepatite ocorre quando o vírus ainda está no organismo após os seis meses de contaminação, seja porque o corpo não o combateu naturalmente, seja porque a forma aguda não foi devidamente tratada. O problema, aqui, é que a infecção pode permanecer silenciosa até suas fases mais avançadas.

A destruição do fígado acontece lentamente, e não é incomum que os primeiros sintomas só venham a aparecer 20 ou 30 anos depois da contaminação — o que explica o motivo de boa parte dos pacientes infectados pelo vírus C não saberem que estão doentes.

Dessa forma, até 1/3 dos pacientes com hepatite crônica acabam desenvolvendo cirrose hepática, resultado de anos e anos de agressões ao fígado, provocando a substituição do tecido hepático normal por nódulos e tecido fibroso.

Por fim, é válido destacar que a Hepatite C crônica pode reduzir significativamente o desempenho físico e cognitivo do paciente, comprometendo não só a sua saúde, como também sua qualidade de vida. Justamente por isso, é muito comum encontrar casos de depressão associados à Hepatite C crônica.

Como a hepatite C é transmitida?

O vírus é transmitido principalmente pelo contato com sangue contaminado. As principais vias de contágio são: feridas na pele, compartilhamento de seringas no caso de drogas injetáveis, transfusão de sangue, alicates de cutícula não esterilizados e agulhas de tatuagens e de piercings não descartáveis.

O contágio por relação sexual não é tão comum e nem tampouco por beijo, pois, apesar de o vírus já ter sido encontrado na saliva, a transmissão é pouco provável, a não ser que haja feridas na boca. A maioria dos estudos realizados sobre o assunto ainda não conseguiu comprovar a transmissão da hepatite C por essa via.

Já o risco de transmissão de mãe para filho durante a gravidez é de apenas 6%. A amamentação, por sua vez, só contagia o bebê se houver ferida na boca da criança e nos mamilos da mãe.

Riscos reais da contaminação via transfusão de sangue

Um dado importante sobre a contaminação via transfusão de sangue é que, quando o processo era realizado antes de 1993, o material ainda não podia ser testado contra a Hepatite C. Dessa forma, as pessoas recebiam as transfusões e eram infectadas pelo vírus sem que ao menos os médicos tivessem conhecimento do acontecido.

Isso porque, até o final da década de 1980, o vírus da Hepatite C ainda não havia sido descoberto, portanto, as bolsas para transfusão não eram testadas nesse sentido. Por muito tempo, a Hepatite C foi chamada de “hepatite não-A não-B”. Os médicos e pesquisadores da área da saúde sabiam que existia um tipo de hepatite diferente das já conhecidas, no entanto, as suas causas e a forma de transmissão eram desconhecidas.

A consequência disso é que, hoje, encontramos milhares de pacientes portadores de Hepatite C já na fase avançada da doença, que foram contaminados há 2 ou 3 décadas sem nenhum conhecimento. Sendo assim, é recomendado que todas as pessoas que receberam sangue antes do ano de 1993 sejam testadas.

Nos dias de hoje, a taxa de contaminação pela Hepatite C por meio de transfusões sanguíneas é de apenas 1 caso para cada 1.9 milhões de transfusões. Pode-se concluir que a maioria dos casos da doença que têm origem transfusional atualmente são, na verdade, casos antigos, que foram adquiridos nas décadas passadas.

Quais são os sintomas da hepatite C?

Como já explicamos, a maioria das pessoas com Hepatite C não chega a apresentar nenhum sintoma, tanto nos casos de infecção aguda quanto nos de infecção crônica. Entre aqueles que chegam a manifestar algum sinal, os mais comuns são:

  • dor e inchaço abdominal;
  • sangramento no estômago e/ou esôfago;
  • febre alta;
  • cansaço extremo;
  • perda de apetite;
  • náusea e vômitos;
  • coceira;
  • fezes claras;
  • urina escura (cor de “Coca-Cola”);
  • pele e olhos amarelados (icterícia).

É comum que os pacientes infectados comecem com os sintomas envolvendo alterações nas fezes e na urina. Em seguida, surge a febre e, quando ela começa a abaixar, chegam os sinais como cor amarelada na pele e nos olhos. Todos eles vão diminuindo aos poucos, e a maioria dos acometidos não alcança a cura a tempo.

É importante destacar, também, que os dois últimos sintomas incluídos na lista (urina escura e icterícia) são praticamente determinantes para o diagnóstico de hepatite. Então, a pessoa que apresentar algum deles (ou ambos) deve procurar atendimento médico imediatamente, informando ao profissional se já teve hepatite (de qualquer tipo, A, B ou mesmo C) alguma vez na vida e se algum familiar já teve doenças do fígado (hepáticas).

Como é feito o diagnóstico para Hepatite C?

O diagnóstico da Hepatite C é feito por meio de um exame de sangue próprio para detectar a presença dos anti-corpos Anti-VHC. Os marcadores AST/TGO e ALT/TGP, que também constam no teste, são indicativos de inflamação no fígado, por isso, na fase aguda da hepatite, seus valores podem se encontrar até 100 vezes maior que o normal.

No entanto, esse tipo de hepatite permanece sendo descoberto somente na fase crônica da condição, se mostrando em exames de sangue de rotina.

Quais os tratamentos para a hepatite C? A doença tem cura?

Não existe uma vacina específica para a hepatite C, no entanto, há possibilidades de tratamento com medicamentos. Esses remédios devem ser tomados por um longo período com o objetivo de tentar eliminar o vírus do organismo.

O tratamento, mais especificamente, deve ser orientado por um infectologista ou hepatologista, além de feito por meio de remédios antivirais — como Interferon, Daklinza e Sofosbuvir — por aproximadamente 6 meses.

No entanto, naqueles casos em que o fígado foi muito agredido pelo vírus HCV, poderá ser necessário um transplante. A maioria dos órgãos transplantados são de doadores falecidos, mas há casos em que podem vir de pessoas vivas (já que o fígado apresenta capacidade regenerativa), nas situações em que apenas uma parte dele já é suficiente para que o paciente sobreviva.

A continuação do tratamento se dá com uma combinação de medicamentos (interferon e ribavirina), pois, a infecção infelizmente pode voltar a acontecer no novo órgão.

Sendo assim, quanto à resposta para a pergunta “a Hepatite C tem cura?”, ainda não se pode dar certeza. Isso porque as chances de remover completamente o vírus C do sangue com o tratamento habitual são de cerca de 50%.

Lembre-se de que mesmo que o tratamento não remova o vírus do organismo, ele poderá diminuir o risco de a doença evoluir para uma doença hepática grave. Por isso, os médicos costumam dizer “resposta virológica prolongada” e não “cura”, já que não se sabe se a resposta ao tratamento será permanente.

Além disso, é sempre bom lembrar que um diagnóstico precoce da hepatite C aumenta o sucesso do tratamento. Casos graves de hepatite C podem evoluir para cirrose hepática, condição que já explicamos anteriormente no post.

Como evitar a hepatite C

Como até o momento não existe vacina contra a hepatite C, a única maneira de evitar a doença é não contrair o vírus. Abaixo, separamos alguns dos principais cuidados básicos a serem tomados para evitar a condição. Acompanhe:

  • só faça tatuagens e piercings em locais certificados e com profissionais de confiança. Certifique-se antes do procedimento de que o material é descartável e está devidamente esterilizado;
  • não use drogas ilícitas injetáveis e nem compartilhe qualquer tipo de seringa com algum usuário;
  • não partilhar também agulhas, lâminas de barbear ou qualquer material que possa cortar a pele;
  • tenha seu próprio material de manicure ou tenha certeza de que os alicates do salão de beleza frequentado sejam esterilizados;
  • use preservativo nas relações sexuais.

Como foi possível perceber, a Hepatite C é uma doença assintomática nas fases iniciais e que raramente se cura sozinha, por isso, tratamento clínico é sempre recomendado quanto antes. Lembre-se sempre de que a prevenção é e sempre será a melhor forma de manter a saúde em dia e evitar quaisquer complicações.

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