Por que temos insônia e como revertê-la?

Por que temos insônia e como revertê-la?

A insônia é um distúrbio permanente que afeta a capacidade de o indivíduo adormecer ou, ainda, de permanecer dormindo durante toda a noite. Devido à grande quantidade de pessoas com a disfunção e aos seus efeitos, a insônia tornou-se um problema de saúde pública.

Na maioria dos casos, ela está associada à redução do tempo de horas que alguém precisa para um sono regular, causada principalmente pelo excesso de trabalho, estresse, cansaço, acúmulo de tarefas e distúrbios do sono, comprometendo a qualidade de vida da pessoa.

Uma única noite sem dormir bem pode resultar em consequências para o organismo, deixando a pessoa mais cansada e fatigada no decorrer do dia, mais faminta, irritada e com dores de cabeça. No entanto, a interrupção contínua do sono, muitas vezes, leva à insônia crônica, atrapalhando a produção do hormônio responsável pelo sono.

Quer saber por que temos insônia e como revertê-la? Acompanhe nosso artigo e conheça as causas da insônia, seus malefícios e os principais tipos de tratamentos. Boa leitura!

O que é a insônia?

O sono é uma atividade regulada por vários neurotransmissores e hormônios que trabalham juntos para garantir que o processo não seja prejudicado por fatores ambientais. A dificuldade de iniciar o sono e mantê-lo continuamente durante a noite ou despertar antes do horário desejado é a principal característica da insônia. Quando não tratada adequadamente, ela pode afetar o bem-estar da pessoa por anos, trazendo consequências negativas à saúde.

O distúrbio do sono pode ser classificado em três tipos, de acordo com sua duração ou frequência, são eles:

  1. Transiente: com duração de apenas alguns dias, podendo chegar a três semanas;
  2. Crônica: também chamada de longa duração, a insônia crônica é aquela que dura mais de 3 semanas;
  3. Intermitente: insônia de curta duração que acontece em determinados períodos, entre eles, há fases de sono regular.

A quantidade ideal de horas de sono é um aspecto muito pessoal. Grande parte das pessoas necessita de 7 a 8 horas de sono para acordar bem-disposta, mas o que determina a qualidade do sono é a situação em que ela se encontra no dia posterior. Em geral, os pacientes com insônia apresentam sintomas como cansaço, alterações de humor, sonolência ou sensação de “atordoamento”. Muitos deles, mesmo com sono, não conseguem dormir durante o dia.

É importante ressaltar que a melatonina é o hormônio responsável principalmente por regular o período de descanso, produzida de modo natural pela glândula pineal através da intensidade luminosa, fazendo com que a síntese seja bloqueada na claridade ou durante o dia e, consequentemente, seja propiciada em locais escuros ou à noite.

Quais são as causas da insônia?

Quais são as causas da insônia?

 

Em geral, a insônia está associada à interação de várias condições, como propensão genética, aspectos físicos, biológicos, mentais e psicossociais. Podendo ser agravada por outros distúrbios do sono como a Síndrome da Apneia Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) e a Síndrome das Pernas Inquietas.

Eventuais problemas para dormir causados pela produção inadequada de serotonina pelo organismo, estresse provocado pelo desgaste cotidiano ou por situações-limite, enfermidades ou questões emocionais passageiras podem ser considerados normais e os mais comuns. A complicação surge quando as noites sem dormir se tornam constantes e atrapalham a qualidade de vida do indivíduo, transformando-se em insônia.

Em alguns casos, a insônia é considerada primária, também chamada de Insônia Idiopática (que não apresenta causa específica) — é quando os pacientes relatam problemas para dormir ainda nos primeiros anos de vida.

A insônia do tipo psíquica e fisiológica é a mais comum, em que estão relacionadas ao alto nível de alerta, mesmo durante o sono, mudanças de rotina, perda de alguém próximo, conflitos pessoais, conservação de hábitos indevidos relacionados ao sono, entre outros.

Por último, existe a insônia paradoxal, que representa uma percepção ruim da condição de sono, isto é, a pessoa reclama por dormir pouco, porém a polissonografia não comprova anormalidades.

Depressão, estresse, transtorno de ansiedade, dores crônicas, distúrbios metabólicos hormonais, uso de medicamento e substâncias estimulantes são condições que ocasionam ou agravam o quadro de insônia.

No que se refere aos estimulantes, as substâncias que contêm cafeína são as comuns no dia a dia, como café, chá e refrigerantes. Apesar de não estarem diretamente relacionados à insônia, os estimulantes podem, eventualmente, ser um fator desencadeante do distúrbio.

Fatores de risco

Diante das causas estabelecidas, é importante ressaltar que os riscos de ter insônia são maiores em:

  • Mulheres: são mais propensas por causa das mudanças hormonais no período menstrual e na menopausa;
  • Grávidas: a insônia também é mais comum com a gravidez;
  • Idosos: pessoas acima dos 60 anos de idade, devido às mudanças nos padrões de sono e aos problemas de saúde;
  • Pessoas com distúrbios de saúde mental: depressão, ansiedade, transtorno bipolar e o transtorno de estresse pós-traumático aumentam os casos de insônia;
  • Pessoas sob estresse: situações de estresse constante podem causar insônia temporária;
  • Pessoas que dormem em horários diferentes: os trabalhos que envolvem trocas frequentes de fuso horário podem atrapalhar o ciclo circadiano.

Como ela pode ser diagnosticada?

Assim que os sintomas de insônia aparecerem e começarem a prejudicar suas atividades diárias e seu desempenho no trabalho ou nos estudos, procure um profissional especializado para definir as causas do problema e conhecer os possíveis tratamentos.

Primeiramente, nem todas as pessoas que se queixam de insônia precisam necessariamente realizar o exame de polissonografia, já que o distúrbio trata-se do sinal de um transtorno distinto. Algumas pessoas com apneia do sono, por exemplo, podem expor sintomas frequentes, mas que são de outra disfunção.

Para diagnosticar corretamente a insônia é indispensável o histórico clínico do paciente acompanhado de exames físicos detalhados, que possibilitem determinar a conexão da insônia com fatores clínicos diferentes para chegar à análise do problema. O exame de sangue, por exemplo, pode ser realizado para avaliar a existência de problemas de tireóide ou outras condições que podem estar por trás da condição.

Caso houver suspeita de qualquer distúrbio do sono, o ideal é solicitar a polissonografia, em que serão acompanhados os padrões do sono — quantas horas dormidas, qualidade do sono e possíveis motivos para que o paciente desperte durante a noite.

Quais são os malefícios da insônia para o organismo?

Quais são os malefícios da insônia para o organismo?

 

O sono é tão relevante para a saúde quanto manter uma dieta saudável e praticar atividades físicas regulares. Por isso, seja qual for a razão para estar com insônia, ela pode prejudicar a saúde física e mental dos pacientes.

De modo geral, as pessoas que apresentam insônia têm baixa qualidade de vida comparadas àquelas que dormem bem. Entre os malefícios proporcionados pela insônia estão a dificuldade de concentração e de memorização, além das mudanças de humor, do baixo rendimento profissional, da falta de energia para as atividades diárias e do aumento no risco de transtornos da mente, como depressão e ansiedade.

Além desses, existem outros problemas causados pela falta de sono. Confira!

Afeta a memória

O sono é uma etapa essencial para o cérebro converter a memória de curto prazo em memória de longo prazo. Durante a noite, ele realiza uma varrição entre as informações acumuladas, gravando somente aquilo que considera fundamental, descartando o desnecessário e fixando ensinamentos aprendidos durante o dia. Por isso, quem dorme mal tem dificuldade para lembrar de episódios simples, como acontecimentos do dia anterior ou nomes de pessoas próximas.

Altera o metabolismo

As alterações no sono podem atrapalhar a produção dos hormônios do crescimento (somatotrofina) e do estresse (cortisol), já que os dois são produzidos enquanto dormimos. As maiores consequências dessa deficiência são acordar cansado, dificuldade de raciocinar e ansiedade, que, muitas vezes, interferem na realização de tarefas diárias, ocasionando problemas como déficit de atenção, acidentes de trânsito, indisposição física, irritabilidade e sonolência.

Aumenta o risco de problemas cardiovasculares

Pesquisas afirmam que noites mal dormidas com frequência pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares (hipertensão arterial) e as doenças metabólicas (obesidade e diabetes), bem como reduz o sistema imunológico e aumenta o envelhecimento precoce. De modo geral, a insônia deixa o organismo em estado de alerta, aumentando a pressão sanguínea à noite. Com o tempo, essa alteração se torna permanente, gerando a hipertensão.

Dificuldade de emagrecer

As noites em claro também afetam o emagrecimento, porque modificam o parâmetro dos hormônios do apetite, estabelecendo um vínculo entre insônia e ganho de peso, aumento da noção de fome e preferência por alimentos mais calóricos. De forma específica, durante o sono nosso organismo produz a leptina, um hormônio que controla a sensação de saciedade ao longo do dia. Dessa forma, pessoas que dormem pouco produzem quantidades menores desse hormônio. Além disso, quem tem o sono restrito produz em maior quantidade o hormônio grelina, que causa fome e diminui o gasto de energia.

Enfraquece o sistema imunológico

A privação do sono provoca alterações significativas na imunidade, estimulando ou até mesmo intensificando doenças autoimunes, que costumam ser mediadas pela ação ampliada do sistema neuroendócrino. O estresse, por exemplo, é considerado um dos grandes fatores desencadeantes da ausência de sono. Por isso, a melatonina e o cortisol atuam juntos.

Como tratar a insônia?

Como tratar a insônia?

 

Uma vez definido o diagnóstico, existem diversas opções de tratamento para a insônia, seja com medicamentos ou por meio de terapias, sendo necessário o acompanhamento adequado do profissional.

Com relação aos remédios para dormir, atualmente os profissionais preferem prescrever aqueles que não causam dependência e podem ser reduzidos ou retirados futuramente. Existem diversos tipos, mas cada caso é um caso e precisa ser avaliado separadamente pelos profissionais de saúde. Em geral, os mais utilizados são:

  • Clonazepam;
  • Diazepam;
  • Dormonid;
  • Frontal;
  • Amitriptilina;
  • Midazolam;
  • Zolpidem;
  • Zopiclona;
  • Remalteona;
  • Alprazolam.

É importante ressaltar que os medicamentos abordados anteriormente são de uso controlado e devem ser administrados de maneira adequada, com indicação do médico responsável. A automedicação é muito grave e nunca é recomendada.

Nesse caso, existem os remédios sem receita que ajudam a dormir, como valeriana, dimenidrinato e anti-histamínicos. Mas que, mesmo naturais, podem causar dependência ou ocasionar efeitos colaterais indesejados. Por isso, o ideal é sempre buscar o auxílio de um médico.

Para aqueles que apresentam dificuldades para pegar no sono ou acorda muito durante a noite pode conseguir bons resultados com o uso de substâncias calmantes naturais, encontradas em chás e frutas, por exemplo. Além disso, incluir hábitos saudáveis na rotina diária melhora significativa o bem-estar e controla os hormônios.

Veja, a seguir, os principais hábitos que podem ajudar a combater a insônia:

  • evite luzes acesas no quarto durante a noite, afinal, quanto mais escuro, melhor será a qualidade do sono;
  • não utilize dispositivos eletrônicos ou assista televisão pelo menos meia hora antes de se deitar;
  • torne seu quarto um ambiente confortável e propício para o sono;
  • faça exercícios físicos e permaneça ativo;
  • regularize seu relógio biológico;
  • evite cafeína e outras substâncias estimulantes;
  • evite o consumo de bebidas alcoólicas e cigarro;
  • coma alimentos mais saudáveis antes de dormir e tente fazer a última refeição cerca de duas horas antes de ir para cama;
  • evite realizar atividades rotineiras, como assistir TV, ler livro ou utilizar o celular ao se deitar na cama;
  • vá para a cama sempre no mesmo horário, isso faz com que o corpo se acostume a ter sono no mesmo horário diariamente.

Seguindo todas essas orientações, você garante os benefícios de uma boa noite de sono, como a prevenção de doenças, combate a obesidade, melhora o armazenamento de informações no cérebro, redução das chances de desenvolver depressão, melhora o humor e o bem-estar, entre outros.

Se, mesmo assim, o problema persistir, ou já tiver se tornado uma insônia crônica, é recomendável procurar a ajuda de um profissional da saúde (neurologista, pneumologista, otorrinolaringologista e psiquiatra), pois só ele pode realizar o diagnóstico do problema e recomendar o melhor tratamento, de acordo com sua necessidade. 

Por fim, ainda que muitas pessoas achem que dormir é uma perda de tempo, uma boa noite de sono é determinante para reduzir a maioria dos problemas relacionados à saúde. Portanto, agora que você já sabe por que temos insônia e como revertê-la, tome os cuidados necessários para manter o seu sono e a sua saúde em dia!

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