Doenças infantis e a vacinação obrigatória

 

Sarampo, rubéola e caxumba. O trio de doenças virais, muito comuns na infância durante o século passado, foram, depois de longos esforços, erradicadas no Brasil. Isso foi possível, em grande parte, graças ao desenvolvimento da vacina MMR (“measles”, sarampo; “mumps”, caxumba; “rubella”, rubéola), criada em 1971. O novo medicamento combinou as vacinas das três enfermidades em uma única aplicação e tornou mais prática a prevenção na infância. O tema foi tratado pelo médico Iran Gonçalves Jr. em artigo publicado no jornal Valor Econômico.

Tratou-se certamente de um grande avanço. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre os anos 2000 e 2016, a vacinação preveniu mais de 20 milhões de mortes entre crianças de até 5 anos no mundo todo por sarampo, por exemplo. Essa doença, entre as que podem ser prevenidas, é a que causa mais mortes. Já a caxumba pode deixar graves sequelas neurológicas no atingido, enquanto a rubéola, entre gestantes, pode afetar o feto com efeitos que incluem a morte intrauterina, microcefalia, surdez e cegueira congênita.

Depois da popularização da vacina, no entanto, foi questão de tempo até que essas doenças desaparecessem do país. Em 1994, o Brasil foi certificado como livre da poliomielite. Menos de 20 anos depois, a rubéola foi considerada erradicada e, em 2016, chegou ao fim o sarampo. Com esse avanço, não é exagero dizer que milhares de médicos e enfermeiros formados da década de 1980 até hoje não viram um único caso dessas doenças nas suas vidas profissionais.

A erradicação, no entanto, está longe de ser garantia de estabilidade hígida. Um exemplo disso é a febre amarela, virose declarada erradicada no Brasil em 1942 e que retomou em todo o país em 2017. A OMS mudou a classificação do país e, hoje, recomenda vacinação para todos os estrangeiros e residentes que viajam para diversos Estados, entre eles Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

 

Cenário atual

A vacinação apresenta dois efeitos benéficos. No indivíduo, ela induz a formação de anticorpos contra o vírus ou a bactéria. Já em termos populacionais, ela cria uma rede de proteção que dificulta o contágio de quem não é vacinado. Dessa forma, os vírus ou as bactérias não passam de uma pessoa para a outra, porque já houve a produção de anticorpo. Quem não é vacinado, então, fica protegido por essa “barreira de vacinados”.

Apesar da existência da vacina MMR, a ocorrência das doenças prevenidas por ela contraditoriamente tem aumentado no país, principalmente o sarampo. Só até o início de agosto deste ano, o Ministério da Saúde registrou mais de mil casos concentrados no Amazonas e em Roraima, mas também no Rio de janeiro, Rio Grande do Sul e em São Paulo. Em 2003, no entanto, foram menos de 50 casos no país. Em seus informes técnicos, o ministério informa que a cobertura vacinal vem caindo, situação que também ocorre com relação à poliomielite.

O Brasil domina o ciclo de produção das vacinas mundialmente. Seus quadros técnicos e centros de pesquisa são reconhecidos internacionalmente e o monitoramento de novos casos é bastante eficiente. Precisamos, urgentemente, levantar as causas do retrocesso que temos vivenciado e retomar os avanços outrora alcançados.

Saiba mais sobre o assunto clicando aqui, no artigo do Valor Econômico.

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