Hipolabor explica: como funcionam os antibióticos

Hipolabor explica: como funcionam os antibióticos

Para tratar as infecções bacterianas, os médicos costumam prescrever antibióticos, medicamentos bastante eficazes. Porém, você já se perguntou como eles agem no nosso organismo e por que sua venda é tão controlada? De fato, existem diversos mitos e verdades sobre antibióticos, seus efeitos colaterais e recomendações.

Dessa forma, é importante ter cuidado com o uso desses medicamentos. Pois eles agem de maneira seletiva, agredindo o agente causador da doença, mas não o seu portador. No entanto, precisam ser utilizados de maneira consciente, para que realmente faça o efeito desejado.

Por isso é que só devem ser usados com prescrição médica. Quer conhecer mais sobre o assunto? Então, continue a leitura e saiba quais os tipos de antibióticos e como esses medicamentos funcionam no nosso organismo. Confira!

O que são antibióticos?

Os antibióticos constituem uma classe de medicamentos utilizados para o tratamento de todo tipo de infecção bacteriana. Eles atacam apenas as bactérias, sem prejudicar as outras células do nosso organismo.

As bactérias são seres vivos unicelulares e procariontes. Portanto, são parasitas, precisando de usar a estrutura celular de um hospedeiro para se desenvolver e multiplicar.

Existem diversos tipos, mas para os efeitos da compreensão dos antibióticos, é importante separá-las em gram-positivas, que tingem de cor quando expostas ao cristal violeta, e gram-negativas, que se tingem de vermelho. Essa informação é determinante para a escolha de um tipo adequado para um tratamento.

Existem diversos tipos de antibióticos, que são indicados de acordo com a infecção e a área afetada, uma vez que existe uma variedade imensa desses seres na natureza. No entanto, eles só funcionam, especificamente, contra as bactérias, não podendo ser usados contra outros micro-organismos, como os vírus ou os fungos.

Podem ser divididos em bactericidas, que são capazes de destruir as bactérias, ou bacteriostáticos, acabando com o mecanismo de reprodução delas. Ambos são eficazes, tendo diversas indicações para o tratamento de infecções.

O primeiro tipo de antibiótico foi descoberto por acidente. É a penicilina, substância bactericida mais usada e reconhecida em todo o mundo há anos.

Em 1928, o médico microbiologista britânico Alexander Fleming, estudava formas de se combater infecções bacterianas. Ao retornar de um período de férias, o pesquisador percebeu que havia esquecido de colocar algumas placas de amostras no refrigerador.

Depois de um mês expostas ao ambiente, as amostras continham placas de bactérias contaminadas por mofo. Pensando em descartar o material, foi mostrar a um colega e percebeu a formação de um círculo transparente em volta do mofo, indicando que ele produzia uma substância com ação bactericida.

Ao coletar mais amostras e realizar novos estudos, o cientista finalmente descobriu a penicilina, substância produzida por fungos, que é o primeiro antibiótico reconhecido. De lá para cá, novas pesquisas foram surgindo, tendo como resultado o desenvolvimento de moléculas cada vez mais modernas e eficazes.

Apesar de terem revolucionado a medicina moderna, ele foram usados sem o cuidado necessário por muito tempo, sujeitando a população a efeitos colaterais, interações medicamentosas e ao aumento de bactérias super-resistentes. Por isso, desde 2010, no Brasil, foram criadas leis que limitam o acesso a esses medicamentos. Para comprar em uma farmácia, é preciso apresentar uma receita em duas vias, sendo que uma fica retida no estabelecimento.

Como funcionam os antibióticos?

Os antibióticos atacam as bactérias infecciosas presentes no nosso corpo, destruindo a parede celular bacteriana. Eles têm ação direta nesses organismos, alterando a sua estrutura ou a capacidade de se dividirem. Porém, esse não é o único mecanismo de ação desses medicamentos.

Eles também agem na inibição do cromossomo das bactérias, impedindo que elas se dupliquem e reproduzam. Para isso, eles podem imitar as substâncias que são usadas pela célula bacteriana para se ligar às enzimas, inibindo a ação delas.

Alguns antibióticos modificam, ainda, a permeabilidade da membrana plasmática nas bactérias ou atuam impossibilitando a síntese proteica bacteriana, impedindo a ação desse agente no nosso organismo. Ou seja, de uma forma ou de outra, esses medicamentos agem de modo a impedir a existência e a reprodução desses micro-organismos, dependendo do tipo de antibiótico.

A ação deles vai depender também da dosagem e do período de uso. Isso pode variar de acordo com a infecção, a área afetada e a gravidade. Somente um médico pode avaliar a necessidade de tomar o medicamento e por quanto tempo.

O fato é que o ciclo de vida de uma bactéria no organismo pode ser muito rápido. Com a multiplicação, elas ou as substâncias residuais desse processo podem afetar as células do organismo ou alterar alguma condição fisiológica, como o pH ou a temperatura do ambiente. Isso prejudica o metabolismo e outras funções do corpo humano.

Quais as principais substâncias presentes nos antibióticos?

O principal antibiótico utilizado é a penicilina. Essa foi a primeira substância utilizada para inibir a ação das bactérias no nosso organismo. Porém, ela não é capaz de impedir todo o tipo de ação bacteriana no corpo humano, quando é necessário optar por outros tipos de substâncias, como veremos adiante.

Devido a isso, foram desenvolvidos antibióticos que contêm outras substâncias, como a vancomicina, que inibe a montagem da parede celular das bactérias, e a ciprofloxacina, que atua diretamente no DNA-girase bacteriano — uma enzima extremamente importante para a replicação desses organismos.

Podemos, ainda, citar a tetraciclina, que inibe a síntese de proteínas das bactérias e impedem que elas realizem suas funções vitais; e a rifamicina, que impede a síntese de RNA.

Existe alguma restrição para o uso de antibióticos?

Os antibióticos perdem a sua eficácia de acordo com o uso. Se você tomar esse medicamento com frequência, as bactérias do seu organismo podem desenvolver um tipo de mutação, tornando-se resistentes à substância presente nesse medicamento.

Com a reprodução dessa bactéria específica, todas as outras adquirirão essa capacidade, e o antibiótico não fará mais efeito sobre elas. Pois é importante destacar que esses seres com estruturas muito simples, que têm uma alta capacidade de mutação e adaptação.

Vale lembrar, ainda, que os antibióticos podem produzir efeitos colaterais, como desconforto gástrico — náuseas e dores abdominais. Isso costuma acontecer porque os medicamentos também podem afetar bactérias benéficas que vivem em algumas partes do corpo, como o intestino e a região vaginal.

Outros efeitos colaterais conhecidos do uso de antibióticos são:

  • diarreia;
  • náusea;
  • perda de audição;
  • vertigem;
  • lesão cerebral;
  • cálculos, lesões ou insuficiência nos rins;
  • redução da quantidade de glóbulos brancos;
  • baixa temporária na pressão arterial;
  • amarelamento dos dentes;
  • lesão no fígado;
  • hipersensibilidade à luz (fotofobia);
  • lesão nos olhos;
  • convulsões;
  • alteração da cor da urina;
  • dor de cabeça;
  • sabor metálico na boca.

Além disso, algumas pessoas podem ter reações alérgicas a esse tipo de medicamento, como erupções cutâneas e dificuldade respiratória. Nesse caso, é preciso identificar qual a substância presente no antibiótico que causa a alergia e fazer a substituição dela, evitando problemas mais graves. Por isso, o médico deve ser consultado assim que a alergia for identificada. Em alguns casos, o profissional pode perguntar ao paciente se ele é alérgico a alguma substância que compõe o medicamento.

Outro cuidado a ser tomado em relação aos antibióticos é que eles devem ser evitados na gravidez. Pois alguns deles podem levar à má formação do feto. Dessa forma, deve-se informar ao médico sobre a gravidez em casos de infecção e, do mesmo modo, as grávidas precisam receber tratamentos alternativos.

Também é importante destacar que os antibióticos são misturas de diversas substâncias, incluindo veículos e estabilizadores, que podem interagir de diferentes formas com outras. As interações medicamentosas são comuns, como nos casos de outros medicamentos de uso contínuo — para pressão alta, epilepsia, contraceptivos — que reduzem os efeitos dos antibióticos.

Assim, é necessário informar ao médico sobre o uso de qualquer outro medicamento quando ele for passar o tratamento para a infecção. Ele deve procurar uma fórmula que não interage especificamente com a medicação usada.

Devemos ressaltar que os antibióticos atacam as bactérias presentes no nosso organismo, mas não os vírus. Logo, esses medicamentos não devem ser utilizados para infecções virais, pois não serão efetivos contra os mesmos agentes. Como algumas dessas infecções costumam ter sintomas semelhantes, é fundamental consultar o médico antes de começar qualquer tipo de tratamento.

5 tipos de antibióticos mais usados

Existem vários tipos de antibióticos, que são utilizados para tratar diversas infecções, localizadas em qualquer parte do corpo. Além da penicilina (e suas variações), uma das classes mais antigas é a das sulfonamidas (sulfonas), que incluem medicamentos usados para o tratamento de infecções urinárias e por salmonela.

Esses dois tipos de antibióticos são mais antigos e, por isso, muitas bactérias já adquiriram resistência a eles. Mas o investimento em pesquisas na área proporcionou o desenvolvimento de medicamentos mais potentes, com amplo espectro de ação. Ou seja, são capazes de destruir uma gama maior de bactérias e, por isso, são os mais prescritos atualmente. A seguir, conheça os 5 grupos principais.

1. Aminoglicosídeos

É a classe usada para tratar infecções graves por bactérias gram-positivas. É o caso da E. Coli, que pode afetar diversas partes do corpo. Os aminoglicosídeos entram na bactéria, inibindo a síntese proteica.

2. Cefalosporinas (primeira a quinta gerações)

As cefalosporinas foram evoluindo com o tempo, dando origem a diversas gerações, cada uma com potência e eficácia em relação à anterior. A partir da terceira geração, por exemplo, elas funcionam contra bactérias gram-positivas, sendo usadas em infecções hospitalares resistentes a outros antibióticos. As de quarta e quinta geração têm a mesma aplicação, no entanto, podem ser usadas por bactérias ainda mais resistentes.

3. Glicopeptídeos e macrolídeos

Ambas são usadas em pacientes em estado grave e para doenças mais persistentes, como a Doença de Lyme, a pneumonia bacteriana e a sífilis. Porém, os glicopeptídeos são recomendados, ainda, quando o paciente tem hipersensibilidade a outros antibióticos mais comuns, como as penicilinas e as cefalosporinas.

4. Polipeptídicos

São usados em infecções oculares, e em casos de infecções urinárias reincidentes — quando o paciente já tomou outros antibióticos para tratar o problema anteriormente . Também é usada em algumas infecções hospitalares, por ainda ter sido menos utilizada e com poucas bactérias resistentes a elas.

5. Quinolonas

Também são usadas em infecções urinárias reincidentes, casos de diarreia bacteriana, gonorreia, prostatites por bactérias e até pneumonias. As quinolonas são bem diversas, sendo a classe que mais evoluiu nos últimos anos.

Mitos e verdades sobre antibióticos

Quando começar a melhorar posso diminuir a dose

MITO. O ideal é respeitar a duração da tomada do medicamento, uma vez que uma melhora inicial não representa a cura totalmente. O Hábito de suspender o tratamento ou reduzir a dose contribui para o aparecimento de bactérias resistentes.

Antibióticos podem manchar os dentes

VERDADE. Não é sempre que isso acontece e nem todos os antibióticos têm esse efeito colateral. De qualquer forma, o amarelado tende a desaparecer com o tempo e uma boa escovação. O mais importante é mesmo fazer o tratamento adequado e comunicar o médico sobre esse e outros efeitos colaterais.

O álcool corta o efeito do antibiótico

MITO. Não necessariamente. O álcool não é capaz de cortar o efeito do antibiótico, podendo, apenas, alterar a quantidade da substância em circulação no sangue, reduzindo a eficácia. Além disso, os médicos recomendam evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante o tratamento para não sobrecarregar o fígado. Esse órgão é o responsável pelo metabolismo do álcool e dos medicamentos.

Existem pouquíssimos antibióticos que reagem com o álcool e não podem ser misturados de nenhuma maneira. Portanto, o melhor é não beber enquanto durar o tratamento da infecção, ainda que a bebida não corte o efeito do medicamento.

É necessário aumentar a dose do antibiótico se piorar

MITO. O normal é que os sintomas comecem a melhorar já nos primeiros dias de tratamento. Mas pode acontecer da infecção passar por completo só depois de terminar de tomar o antibiótico. Caso isso não aconteça, é preciso procurar o médico novamente. Somente o profissional pode avaliar o estado de saúde do paciente para aumentar a dose ou recomeçar o tratamento com outra medicação.

É preciso tomar o antibiótico sempre no mesmo horário

VERDADE. Os níveis do medicamento no sangue vão variando com o tempo. Dessa forma, se deixar passar a hora da tomada, a concentração da substância no organismo pode ficar muito baixa, não sendo suficiente para combater as bactérias. Por isso, o melhor é adotar um mesmo horário, de acordo com a prescrição médica. É até permitido atrasar alguns minutos, desde que não seja uma rotina.

Podemos adquirir resistência a um antibiótico

MITO. Na verdade, são as bactérias, de modo geral, que podem ficar resistentes a um determinado antibiótico. Isso porque elas são capazes de sofrer mutações, como forma de sobreviver a aos medicamentos.

No entanto, é comum termos essa impressão quando os antibióticos não fazem efeito, seja pela quantidade insuficiente ou tomada inadequada, seja pela origem duvidosa. Por isso, é muito importante comprar apenas em farmácias e de laboratórios com qualidade reconhecida.

Tomar antibiótico engorda

MITO. Os antibióticos não engordam. No entanto, alguns tipos podem causar inchaço e excesso de gases, que podem ser confundidos com o ganho de peso. Esses efeitos colaterais costumam desaparecer logo que o tratamento termina.

Não podemos tomar antibiótico muitas vezes ao ano

MITO. As infecções devem ser sempre combatidas, independentemente da frequência em que elas acontecem. Não existe um limite para o uso de antibiótico, porém, os médicos costumam variar apenas o tipo ministrado.

É bom lembrar, ainda, a importância de se investigar as causas de tantas infecções, pois a pessoa pode estar com a imunidade comprometida. O próprio diagnóstico do médico também precisa ser questionado, por isso, em alguns casos, é bom procurar uma segunda opinião.

Antibióticos podem reduzir o efeito de anticoncepcionais

VERDADE. Não são todos os tipos de antibióticos, mas alguns podem reduzir a eficácia dos anticoncepcionais. Por isso, é bom tanto perguntar ao médico sobre essa possibilidade quanto adotar outro método contraceptivo simultaneamente durante o ciclo menstrual em que for feito o tratamento da infecção.

Dá para guardar o antibiótico que sobrar para tomar quando adoecer de novo

MITO. Não se deve guardar os comprimidos ou o líquido do frasco do antibiótico que sobrar. Afinal, cada um tem um efeito específico para combater determinada bactéria. Caso uma pessoa fique doente novamente, é fundamental se consultar com um médico novamente, para um diagnóstico e um tratamento adequados.

O medicamento que sobrar, pode ser encaminhado a um posto de saúde, hospital ou farmácia para o descarte correto.

Os antibióticos não curam gripes e resfriados

VERDADE. A gripe e os resfriados comuns são causados por diferentes tipos de vírus. Portanto, não devem ser tratados com antibióticos, que só têm efeito contra bactérias. É necessário consultar um médico para obter o tratamento adequado.

De fato, o reconhecimento da eficácia desses medicamentos levou à disseminação de muitas informações falsas e ao uso indiscriminado. No entanto, eles não resolvem outros problemas a não ser as infecções bacterianas. Portanto, não se deve fazer a automedicação em hipótese nenhuma, uma vez que se tomados sem necessidade, podem fazer mais mal que bem.

De qualquer forma, independentemente desses mitos e verdades sobre antibióticos, eles são medicamentos relevantes para combater doenças no nosso corpo, mas devem ser usados somente com prescrição médica. Assim, poderão continuar com a sua efetividade, agredindo somente as bactérias, sem prejudicar o organismo. Ou seja, procure um médico e siga as recomendações dele!

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